O principal motivo para isso é o foco das produtoras em produzir sucessos baseado em elementos de games que marcaram gerações de diferentes estilos. Se um RPG e um RTS são muito aclamados em determinado ano pode ter certeza que em um futuro próximo lançaram um RTS com elementos de RPG para tentar reproduzir o sucesso de ambos.
Nem sempre essa combinação agrada o público, Hellgate London é um bom exemplo de uma pífia tentativa de misturar RPG, FPS e ação. Mas se não fossem essas "experimentações" ou "alquimias" não teríamos sucessos como FEAR, Batman, Bioshock, Wacraft 3, Gears of War e tantos outros.
Mas ao mesmo tempo é reconfortante saber que ainda existe lugar para jogos "style-defining", jogos clássicos que não precisam utilizar fórmulas de outros estilos para ter sucesso. Apesar de ser cada vez mais raro ainda conseguimos encontrar games como Dragon Age Origins, Call of Duty, Dirt 2, Total War ou Age of Empires.
Borderlands chega ao mercado com a promessa de unir FPS com action-RPG e um grande suporte online, sendo auto-proclamado um "role-playing shooter" ou RPS. Algo como uma mistura de Left 4 Dead e Diablo. O game foi desenvolvido pela Gearbox Software e distribuído pela 2k Games.
Foi lançado para PS3, Xbox 360 e PC e chegou nas lojas no dia 26 de Outubro de 2009 com recomendação de ser jogado apenas por maiores de 18 anos.
Caixa do jogo:

- História:
Em um futuro próximo grandes empresários e mineradoras descobrem um planeta, Pandora, rico em recursos naturais e decidem colonizá-lo para realizar a extração desses minérios. Porém quando o planeta chega a sua escassez e os investidores não identificam mais nada lucrativo resolvem partir, simplesmente abandonando o planeta.

Mas como apenas poucos possuem condições financeiras para partir boa parte da população é simplesmente abandonada no desértico planeta a sua própria sorte. Com o passar do tempo os antigos moradores acabam descobrindo ruínas de provável presença alienígenas, ao que tudo indica existe uma grande câmara ou cofre alienígena no planeta. Quase que automaticamente surgem rumores do que poderia conter nesse cofre e nessa "lenda do tesouro perdido" resulta na criação de diversas gangues ao melhor estilo Mad Max.
Muitos aventureiros, mercenários e até pesquisadores dedicam suas vidas apenas a tentativa de achar uma forte de encontrar e abrir esse cofre, enquanto outros ganham a vida alimentando a esperança de que realmente existe um tesouro escondido e que você precisa se equipar para poder achar.

Ao começar sua busca pelo "vault" você é repentinamente orientado por uma visão, uma mulher chamada "Guardian Angel", que se diz ser a guardiã do cofre e que é de seu desejo que você ache-o.
A história é bem simples, porém funcional e de certo modo competente. Apesar de limitada e não possuir nenhuma surpresa, subtrama, metaplot ou revelações ela pelo menos consegue explicar de forma lógica e racional a situação do planeta e seus habitantes.

Se você fizer uma rápida analogia de que cofre ("vault" em inglês) nada mais é de que um caixa com segurança e o planeta se chama Pandora, fica ainda mais fácil de entender as semelhantes com a mitológica história de Pandora e sua caixa.

Mas esse quesito é bastante difícil de avaliar em Borderlands, para um jogo RPG a história seria fraca e pouco criativa, mas para um FPS ela está acima da grande média. Apesar do game possuir alguns elementos de RPG ele é, essencialmente, um FPS, portanto nesse quesito julgarei como tal. Portanto a história é boa e cumpre o que se propõe. Mas sem sombra de dúvidas o melhor nesse quesito é o pequeno robô Claptrap, um personagem bem despretensioso, porém muito engraçado.
- Máquina de teste:
CPU: Q6600 @3.2 GHz.
Mem: 2x2gb DDR2 1066 OCZ ReaperX.
Placa mãe: Asus Maximus Formula (Rampage 0403 Mod Bios).
HD: 2x Samsung 250GB RAID 0.
1x Seagate 500GB.
1x Samsung 160GB.
Placa de vídeo: PNY GTX 285 (Driver 190.38).
Monitor: TV Samsung LN32A450 (1360x768).
Placa de som: SteelSeries 5H V2 USB Sound Card.
Sistema de som: SteelSeries 5H V2.
Fonte: Corsair TX650.
Teclado: Logitech G15.
Mouse: SteelSeries Ikari Laser.
Sistema Operaciona: Windows 7 x64 Enterprise.
- Gráficos:
Borderlands é um game com forte senso de comédia, seus personagens são geralmente bem caricaturados, portanto não existe escolha mais óbvia do que desenvolver o game todo com um visual cartoon.
O jogo faz uso de fortes e vivas cores muito semelhante ao efeito de aquarela, de certo modo semelhante ao mais recente Prince of Persia. Isso garante um gráfico divertido, com qualidade, com toques de humor e exigindo pouco poder de fogo de sua máquina.

Por trás das fortes cores e texturas está o Unreal 3 Engine, um dos melhores motores gráficos para FPS do mercado, capaz de entregar ao desenvolvedor um ótimo framework de desenvolvimento e ao jogador gráficos de primeira qualidade sem exigir uma máquina com menos de 3 anos de vida.
Tendo dito isso podemos realmente começar a avaliar os gráficos de Borderlands. Como já foi falado na premissa desse tópico a idéia por trás do game é oferecer um título FPS, com toques de RPG e forte multiplayer, portanto leveza nos gráficos é essencial tanto para não comprometer a banda de internet como conseguir atingir o maior número de jogadores possíveis.

Então tenha em mente que o objetivo foi desenvolver um game visualmente atraente, porém graficamente simples para atingir uma grande massa de jogadores. Portanto características como texturas de alta definição, DX10, engine físico e iluminação realista foram quase que totalmente descartados, uma pena particularmente acho que Borderlands seria um game ainda mais interessante se tivesse um bom motor físico por trás.
Como pontos positivos ficam os curtos loadings, vastos cenários e relativa liberdade na hora de explorá-los. Também devemos parabenizar a equipe de design que conseguiu criar ambientes muito interessante ao melhor estilo Mad Max.
De forma geral podemos dizer que os gráficos de Borderlands agradarão a grande maioria dos jogadores, principalmente aqueles que não exigem qualidade "eye-candy" de seus jogos.
- Som:
Essa é provavelmente a categoria que mais me decepcionou no game. Falta uma trilha sonora empolgante e a parte técnica também deixou a desejar quando optou por não explorar bem o surround.
Se você não tem um sistema de caixas acústicas 5.1 não será Borderlands o motivo para essa aquisição. Durante o review tive oportunidade de testar o game usando tanto um home theater HTS-1100 da Sony quanto o ótimo SteelSeries 5H, ambos ligados em uma competente Razer Barracuda e mesmo assim o surround simplesmente deixou completamente a desejar.

O que salva o game são as dublagens de boa qualidade e bem vastas, quase todo tipo de informação será devidamente dublado para que você não perca tempo lendo. Isso é uma boa qualidade em um FPS.
Mas tirando a não utilização de surround e falta de trilha sonora "o restante" até agrada. As vozes, grunhidos ou rangido dos inimigos são criativos e de certo modo realistas.

Mesmo assim, infelizmente o audio não é o suficiente para te dar imersão. É bem provável que você acabe jogando Borderlands enquanto escuta seus MP3s favoritos.
- Jogabilidade:
Em Borderlands você escolhe entre um soldado, um sniper, uma ladra/psíquica e um bruto/bárbaro. Cada personagem possui duas táticas de combate na qual é especialista, seja sniper, rifles, pistolas, ou poderes. O que garante ao jogador uma boa variedade de estilos, além disso, é possível escolher apenas uma dessas táticas para se especializar, tornando o personagem ainda mais focado e único. Apesar disso nada impede você de utilizar um estilo pertencente a outro personagem, apenas você não fará com a mesma competência.
No game você começa em uma pequena vila onde precisa realizar quests até adquirir a confiança e experiência para avançar para outras regiões. A medida que vai avançando vai ganhando novos itens e pontos para se especializar ao passar de nível.
Quando uma produtora resolve criar um game que aborda vários estilos ela sofre o grande risco de não apenas trazer o lado bom de cada categoria, mas também o que há de ruim. Borderlands é, apesar do que sua produtora diz, um FPS, portanto o maior erro que a Gearbox poderia fazer seria colocar os elementos de RPG que eventualmente poderiam comprometer o frenetismo de um FPS. Esse erro foi cometido em Hellgate London.

Felizmente isso não acontece com Borderlands, apesar do game contar com elementos de RPG eles foram em sua grande maioria bem simplificados, portanto ao passar de nível você não perderá minutos ou horas olhando em uma árvore de skill para saber meticulosamente quais poderes combinam melhor com você.
Mas o que chama atenção no game é seu sistema de geração de loot e inimigos assim como modo online.
Bordelands possui um sistema muito interessante de geração de loot que permite criação randômica de até 20 milhões de itens únicos, os itens seguem o mesmo padrão criado por Diablo, mudando de cor de acordo com a raridade. Esse mesmo sistema também faz geração do design das criaturas, dessa forma é incrivelmente raro você encontrar um inimigo idêntico ao que você já enfrentou.

Um bom exemplo de boa sinergia entre FPS e RPG é o sistema de acerto crítico, para causar danos críticos o personagem precisa acertar determinados pontos vitais dos inimigos. Isso combina elementos de RPG com a perícia e agilidade conhecidas de um FPS.
O modo online poderia até ter um capítulo a parte. Você pode começar uma partida multiplayer ou jogar normalmente e em determinadas áreas convidar um amigo online, quando ele entrar no game automaticamente os inimigos se tornaram mais fortes, darão mais experiência e itens melhores. Todo o progresso do game será salvo no jogo do player Host, então caso você esteja com problemas pra realizar uma determinada missão pode simplesmente chamar um amigo para te ajudar.

O que mais me agradou do multiplayer de Borderlands é sua simplicidade, não precisando se preocupar com Single ou Multiplayer, o fato de não ter internet no momento não compromete em nada seu andamento. O único problema que achei foi o fato de não só salvar o progresso de quests no host. Portanto se você chama um amigo para realizar uma quest que ele também não tenha feito anteriormente ao completar apenas seu progresso será salvo, sendo necessário que ele faça a quest novamente no jogo dele. Porém antes de me mudar já havia relatos de um patch para corrigir isso, e como faz tempo que não jogo Borderlands online (por problemas com a internet daqui), é capaz de já estar disponível.
Mesmo sem utilizar o multiplayer o game é muito divertido e longo. São centenas de quests, diversas arenas e "cenários" ao melhor estilo World of Warcraft pra você se aventurar.
- Conclusão:
Borderlands é um dos poucos híbridos de FPS e RPG que realmente merece destaque, o game consegue unir boa parte do que há de melhor entre os dois estilos e entrega ao jogador uma mistura de Diablo com Left 4 Dead.
O game conta com um ótimo e longo single player, porém é no multiplayer que ele merece atenção. O modo cooperativo de até 4 jogadores me remeteu diretamente a 10 anos atrás (ou talvez mais) quando jogava com Duke Nuken cooperativamente. Todo o jogo foi concebido para o multiplayer, desde itens, quests e até cenários.
Apesar de suas grandes qualidades Borderlands não é imune a críticas, desenvolver um FPS hoje em dia sem engine físico e bom suporte a som surround é quase uma provocação e seus gráficos cartoonish podem não agradar a todos os usuários.
Não há nada que eu possa falar a não ser "vá jogar", esqueça esses problemas e simplesmente jogue Borderlands, preferencialmente online, ele é divertido o suficiente para você ignorar a maioria desses "detalhes" e rapidamente se tornar mais um viciado.
- Notas:
Gráfico: 8.0
História: 8.0
Jogabilidade 9.0
Áudio: 7.0
Diversão: 8.5
Nota Final: 8.1





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